quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Poder e liberdade



Para o Filósofo francês, Michel Foucault, o poder em si não existe, o que existe são relações de poder, onde o ser humano é levado a manifestar sua liberdade com responsabilidade. O poder é algo naturalmente constituído no dialogo entre os indivíduos, no entanto, fomos educados com a ideia de poder como algo a ser temido, que oprime e assusta, não o víamos na amplitude das relações que se estabelecem livremente entre as pessoas. A liberdade pertence ao indivíduo e ninguém consegue manipular a liberdade de outro sem seu prévio consentimento. Para Foucault o poder não elimina a prática da liberdade, sendo inclusive reforçado e legitimado por esta; no entanto, reconhece que existem estados de dominação, onde a liberdade é mínima, porém ainda existente. O poder como instrumento de dominação só é possível enquanto as pessoas desconhecerem a dimensão de sua liberdade, da capacidade que têm de se opor a esse poder negativo. Devemos considerar que o pleno exercício do poder só ocorre a partir da existência de dois indivíduos, levando-se em conta a condição existencial de ambas as partes. Assim, o poder passa a ser visto, não somente como instrumento a favor das relações humanas, mas também como uma ação pedagógica, pois é nas relações com indivíduos de maior consciência a cerca da realidade, que os demais aprendem, atingindo maturidade para a tomada de decisões, sobre sua liberdade, por exemplo, num processo constante de formação e interação. Assim, considerando o poder de nossa liberdade e a capacidade que temos de atribuí-lo a outro, para que o exerça em nosso nome, aumentamos nosso grau de responsabilidade social, pois somos corresponsáveis pela forma como nos representam. Numa relação de poder sadia, o nível de maturidade e consciência do indivíduo aumenta até o ponto de ser capaz de utilizando sua liberdade, atribuir ou destituir o poder a outro, caso deixe de representá-lo adequadamente, demonstrando que as relações de poder implicariam numa troca de exercício de liberdade de ambas as partes.

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