Para o Filósofo francês,
Michel Foucault, o poder em si não
existe, o que existe são relações de
poder, onde o ser humano é levado a manifestar sua liberdade com
responsabilidade. O poder é algo naturalmente constituído no dialogo entre os
indivíduos, no entanto, fomos educados com a ideia de poder como algo a ser
temido, que oprime e assusta, não o víamos na amplitude das relações que se
estabelecem livremente entre as pessoas. A liberdade pertence ao indivíduo e
ninguém consegue manipular a liberdade de outro sem seu prévio consentimento.
Para Foucault o poder não elimina a prática da liberdade, sendo inclusive
reforçado e legitimado por esta; no entanto, reconhece que existem estados de
dominação, onde a liberdade é mínima, porém ainda existente. O poder como
instrumento de dominação só é possível enquanto as pessoas desconhecerem a
dimensão de sua liberdade, da capacidade que têm de se opor a esse poder
negativo. Devemos considerar que o pleno
exercício do poder só ocorre a partir da existência de dois indivíduos,
levando-se em conta a condição existencial de ambas as partes. Assim, o poder
passa a ser visto, não somente como instrumento a favor das relações humanas,
mas também como uma ação pedagógica, pois é nas relações com indivíduos de
maior consciência a cerca da realidade, que os demais aprendem, atingindo
maturidade para a tomada de decisões, sobre sua liberdade, por exemplo, num
processo constante de formação e interação. Assim,
considerando o poder de nossa liberdade e a capacidade que temos de atribuí-lo
a outro, para que o exerça em nosso nome, aumentamos nosso grau de
responsabilidade social, pois somos corresponsáveis pela forma como nos
representam. Numa relação de poder sadia, o nível de maturidade e consciência
do indivíduo aumenta até o ponto de ser capaz de utilizando sua liberdade,
atribuir ou destituir o poder a outro, caso deixe de representá-lo
adequadamente, demonstrando que as relações de poder implicariam numa troca de
exercício de liberdade de ambas as partes.
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